quinta-feira, 9 de julho de 2015

Proposta de reforma política recebe fortes críticas.

A proposta de reforma política em análise na Câmara dos Deputados foi fortemente criticada por integrantes de pequenos partidos de esquerda e também pelo representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, membro da comissão da entidade que analisa a proposição. O tema foi discutido em audiência pública, nesta segunda-feira (6), na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado.
A Câmara dos Deputados já aprovou, em primeiro turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC 182/2007) que promove a reforma política. O texto poderá ser votado em segundo turno nesta semana.
O presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS), também criticou a proposta e anunciou, no encerramento do debate, que a comissão vai aderir à campanha "Por uma reforma política sem exclusão". Esse movimento é contrário a pontos que estão sendo aprovados na reforma política em análise pela Câmara dos Deputados. Entre eles, o que exclui os partidos sem representação no Congresso Nacional da propaganda em TV e rádio e proíbe o acesso dessas legendas ao Fundo Partidário.
Para Cezar Britto, por enquanto, a consequência prática da proposta em análise pela Câmara será "extinguir a possibilidade de crescimento de uma nova esquerda no país".
Britto também mencionou como "extremamente preocupante" a proposta de diminuição do tempo das campanhas eleitorais e cláusulas de barreira ligadas a critérios geográficos, num país continental como o Brasil.
Para o representante da OAB, se o objetivo é diminuir o campo de atuação das chamadas "legendas de aluguel", basta vedar a cessão do tempo de TV e de rádio nas coligações, proposta defendida pela entidade.
O representante da OAB defendeu a análise pelo Congresso da proposta apresentada pela entidade, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e por outras associações ("mais de 100", segundo ele), que estabelece cotas para a representação feminina nas Casas Legislativas (de 50%). O projeto também aumenta o Fundo Partidário para os partidos que tenham mais negros e trabalhadores eleitos; limita a R$ 700 o valor que um cidadão pode doar para ajudar o candidato de sua preferência; estabelece o voto em lista nos pleitos proporcionais e prevê a realização de mais plebiscitos e referendos nas definições sobre as políticas públicas.

Fonte: Agência Senado

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